Soneto a Priapo
Melhor do que Viagra é o deus de Sade
Que inspira todo amante e que contenta
Toda mulher que chega à sua presença
Só para lhe tocar a grande parte.
Rochester fora seu fiel disfarce.
Seu membro enrijeceu com tal veemência
Que até a Morte lhe quis abrir a fenda.
Assim (mas mais sutil) também Bocage.
Ó deus, olhai para esta humanidade!
Vede que na indecência ela se encontra
E dai-lhe, na indecência, alacridade,
Sem, contudo, lembrar daquela prenda
Que vos fugiu de vós na flor da idade,
De quem a flor ainda vos aumenta!
A recatada
“Senhor, como tu queres que eu te chupe?
Conheço desse gesto mil maneiras
De saciar-te. E delas a primeira
É segurar-te o pau que a boca o busque.
Eu posso te chupar a todo galope;
Lamber-lhe ao mesmo tempo, caso queiras,
E te embainhar a espada de maneira
Que, o ar não te faltando, te sufoque.
Se isso não for a ti satisfatório,
Eu posso abrir meu racho e assim chupar-te
Com tal voracidade em tal volúpia.
Mas se ainda assim o prazer não te for caro,
Te virarei do todo aquela parte,
Que, me comendo a mim, serei quem chupa”.
Maricota
Queria Maricota um namorado
Para poder foder em liberdade.
Deixava-se à janela toda tarde
Só para ver passar rapaz galhardo.
Aconteceu de um homem refinado
Um dia se encantar por sua beldade.
Quis-lhe ao Pimenta e, sem disparidade,
Levou-a para ser mulher casada.
Ela pensou que iria todo dia
Foder além da conta. Mas o egrégio
Não na queria assim, mas pra outra vida.
Viveu de Amélia até morrer de tédio.
E, embora não da forma que queria,
A grácil Maricota foi fodida.